A segurança pública em Utinga entrou em estado de alerta após a Câmara Municipal encaminhar um ofício à Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) cobrando providências urgentes diante da falta de efetivo na Polícia Civil do município. O documento denuncia que a cidade está há anos sem investigadores e escrivão e, agora, também sem delegado titular, situação que tem comprometido o funcionamento da delegacia e ampliado a sensação de insegurança entre os moradores.
Assinado pelo presidente da Câmara, Antunes Santana dos Santos (PSDB), o pedido foi enviado no dia 20 de abril de 2026 e solicita uma intervenção imediata do Governo do Estado para regularizar a estrutura da unidade policial. No texto, o Legislativo destaca “que a ausência dos profissionais tem causado dificuldades no registro de ocorrências, na abertura de inquéritos e no avanço das investigações criminais”.
Na prática, a deficiência no efetivo afeta diretamente a capacidade operacional da Polícia Civil em Utinga. Sem investigadores e escrivão, procedimentos básicos ficam comprometidos, “enquanto a população enfrenta demora nos atendimentos e pouca resposta diante dos casos registrados na cidade”.
O aumento da violência recente também tem ampliado a preocupação dos moradores. Somente nos últimos 45 dias, Utinga registrou assassinatos, desaparecimentos de pessoas e até o sequestro de uma criança. Também ocorreram dois casos graves envolvendo disparos de arma de fogo, incluindo um homem baleado dentro de casa na zona rural e o assassinato de um jovem.
Mesmo diante da gravidade do caso, não houve até agora uma resposta oficial do Governo do Estado sobre o pedido encaminhado pela Câmara Municipal. O silêncio da Secretaria de Segurança Pública tem sido alvo de críticas de moradores e lideranças locais, que cobram uma presença mais efetiva do Estado no enfrentamento da crise.
A situação também expõe um componente político que vem sendo comentado nos bastidores do município. Setores ligados à oposição local, frequentemente críticos à administração municipal, têm sido cobrados pela postura discreta diante da ausência de estrutura da Polícia Civil em Utinga, especialmente por manterem proximidade política com o governo estadual. Enquanto isso, a população segue convivendo com o medo e a sensação de abandono na área da segurança

