O Nubank entrou no radar do mercado financeiro após uma nova avaliação do banco Citi, que reduziu a recomendação das ações da fintech e apontou riscos relacionados ao crescimento da carteira de crédito da instituição. A análise acontece poucos dias depois de outro episódio que gerou preocupação entre clientes: o envio equivocado de mensagens sobre uma suposta liquidação extrajudicial do banco.
Segundo informações do jornal Estadão, o Citi rebaixou a recomendação dos papéis do Nubank de “compra” para “neutra” e reduziu o preço-alvo das ações de US$ 18 para US$ 13. Para os analistas, a fintech ainda possui potencial de crescimento, mas enfrenta novos desafios para manter o ritmo de expansão.
O principal alerta está relacionado à forte dependência do crédito. De acordo com a análise, cerca de 60% da receita média gerada por cliente do Nubank já vem de produtos de crédito, o que aumenta a exposição da empresa a mudanças no comportamento dos consumidores e no cenário econômico.
O ponto que mais chamou atenção dos especialistas foi o avanço do chamado crédito consignado privado, modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento do trabalhador.
Na avaliação do Citi, o crescimento desse tipo de empréstimo pode alterar a prioridade dos pagamentos feitos pelos clientes. Como o consignado costuma ter desconto automático, outras dívidas — como cartão de crédito e empréstimos pessoais — podem perder espaço no orçamento dos consumidores.
Atualmente, a maior parte da carteira de crédito do Nubank é formada por operações sem garantia. Segundo o levantamento citado pelo banco, cerca de 96% da carteira está concentrada nesse modelo, sendo 82% em cartões e 14% em empréstimos pessoais.
O Citi reconhece que o Nubank tem uma ampla base de clientes e uma marca consolidada no mercado, mas avalia que a fintech pode estar mais exposta aos impactos dessa mudança no comportamento de crédito.

