Documentos identificados pela Polícia Federal apontam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, figurava como “usuário master” de uma conta bancária vinculada a uma empresa que detinha participação em um jato utilizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14), a partir de documentos encontrados pela PF no armazenamento em nuvem do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e investigado em apuração sobre fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo as informações divulgadas, a conta bancária era mantida no Santander em nome da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e administrada por Willer Tomaz. Registros de e-mails indicam que Flávio permaneceu associado ao perfil de usuário master até maio de 2025, quando foi solicitada a retirada de seu nome da conta.

Para a Polícia Federal, a documentação pode indicar uma possível participação econômica ou societária do senador na empresa. A hipótese, contudo, não representa uma conclusão definitiva sobre a existência de vínculo financeiro entre Flávio e a holding.

A Alcazar Holdings detinha uma das três cotas do jato executivo Legacy 650, de prefixo PP-NLR. Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro viajou na aeronave de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília, acompanhado da esposa, das filhas e de Willer Tomaz. Na ocasião, outra participação na propriedade do avião estava ligada à Prime You, empresa que tinha Daniel Vorcaro entre seus sócios.

Negativas

Flávio Bolsonaro negou ter mantido conta bancária na qual Willer Tomaz ou empresas ligadas ao advogado figurassem como usuários master. Segundo sua assessoria, a própria solicitação de desvinculação demonstraria que a associação era indevida.

Willer Tomaz também negou qualquer relação financeira ou societária com o senador. O advogado afirmou que os dois mantêm apenas uma relação de amizade e contestou a interpretação dada aos documentos.

As informações ampliam os questionamentos sobre as relações entre o senador, o advogado e a estrutura empresarial ligada à aeronave. Até o momento, os registros mencionados na reportagem não comprovam, por si só, que Flávio Bolsonaro fosse proprietário da empresa ou tivesse participação financeira nos negócios de Vorcaro.

By Laiana

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