Depois de 25 anos de negociações, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul deu um passo decisivo para começar a valer. Nesta sexta-feira (9), os países europeus aprovaram provisoriamente o texto do tratado. O acordo, no entanto, ainda não está formalmente em vigor.
A formalização do voto da UE depende do envio de confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil). Concluída essa etapa, o texto poderá ser assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelos países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A assinatura está prevista para a próxima segunda-feira (12), no Paraguai, que exerce a presidência rotativa do bloco sul-americano.
Após a assinatura, o tratado seguirá para os processos internos de ratificação, que incluem a aprovação pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos Nacionais dos quatro países do Mercosul. Somente após esse processo o tratado passará a produzir efeitos jurídicos e comerciais entre os dois blocos.
Um dos maiores acordos comerciais do mundo
Segundo o governo brasileiro, o acordo integra dois dos maiores blocos econômicos globais. Juntos, União Europeia e Mercosul reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB (Produto Interno Bruto) aproximado de US$ 22 trilhões. Trata-se do maior acordo comercial já negociado pelo Mercosul e de um dos mais amplos firmados pela União Europeia.
Para o Brasil, o tratado tem caráter estratégico. A UE é o segundo principal parceiro comercial do país. Em 2025, as exportações brasileiras para o bloco europeu somaram US$ 49,8 bilhões, atrás apenas da China, enquanto as importações chegaram a US$ 50,2 bilhões.
O acordo também reforça a diversificação das parcerias comerciais brasileiras e tende a estimular investimentos, ampliando a integração do país às cadeias produtivas europeias. Atualmente, a UE responde por quase metade do estoque de investimento estrangeiro direto no Brasil.
