Um estudo realizado na Bahia apontou que o tratamento intensivo baseado em internação, dieta de baixa caloria e mudança de hábitos reduz de forma mais eficiente a gordura corporal e preserva a massa magra quando comparado às canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, popularizadas nos últimos anos.
A pesquisa, conduzida com pacientes do Hospital da Obesidade e publicada na revista PLOS ONE, registrou perda de peso entre 20% e 22% em 24 semanas entre os internados—resultado superior ao da semaglutida, que obteve 15% em 68 semanas, e à tirzepatida, que chegou a 21% em 72 semanas. Além disso, a perda de massa magra no tratamento hospitalar foi até 13 vezes menor que a perda de gordura, enquanto nos tratamentos com injetáveis a redução é proporcional entre músculo e gordura.
No levantamento, o percentual de gordura caiu 36% em pacientes com obesidade grau II e III submetidos à internação, superando os índices da semaglutida (19%) e da tirzepatida (34%). Na composição corporal, apenas 12% do peso perdido pelos internados correspondeu à massa magra, contra 33% na semaglutida e 25% na tirzepatida.
O endocrinologista e coordenador do Hospital da Obesidade, Cristiano Gidi, afirmou que a estratégia transdisciplinar — que reúne alimentação adequada, exercício físico personalizado, fisioterapia e monitoramento constante — garante perda de peso de maior qualidade.
Segundo ele, a preservação muscular é decisiva para evitar danos à saúde a longo prazo.
“Se a redução de peso não for feita da forma correta, o corpo retira energia tanto do músculo quanto da gordura. Com isso, a pessoa perde massa muscular numa velocidade semelhante à de gordura”, explicou.
Gidi destacou que as canetas emagrecedoras têm utilidade clínica, mas não substituem acompanhamento profissional.
“A medicação pode ser uma ferramenta importante, mas não é solução mágica. Sem orientação, há grande risco de perda muscular, o que compromete a qualidade de vida, especialmente no envelhecimento”, disse.
O estudo analisou 856 pacientes entre 2016 e 2022. Entre eles, homens e pessoas mais jovens responderam mais rapidamente ao tratamento, com redução de até 23,6% do peso e 45,3% da massa gorda em seis meses. Pacientes com menos de 60 anos tiveram queda superior a 21,8% no IMC, enquanto idosos apresentaram melhores índices de preservação da massa muscular.
A pesquisa também apontou melhorias significativas em glicemia, colesterol e marcadores inflamatórios, reforçando a eficácia do modelo multidisciplinar no combate à obesidade severa.
