A psicanalista Stephanie Lourenço, de 24 anos, viralizou nas redes sociais ao mostrar sua jornada de reconexão com a cultura indígena. Neta de uma indígena da etnia Payayá, nascida em uma aldeia às margens do rio Utinga, na Chapada Diamantina, ela busca recuperar a língua ancestral do seu povo e passar a cultura adiante.
A história de Stephanie
Nascida e criada no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, Stephanie é neta de uma indígena Payayá que fugiu da Chapada Diamantina e se mudou para a capital. Para escapar do preconceito, a avó deixou de falar a língua originária, que era vista como “coisa de selvagem”.
Durante a adolescência, Stephanie também viveu um afastamento da própria identidade. Pintava o cabelo de ruivo e usava filtros para embranquecer o rosto. “A minha pele não é daquela cor, mas eu queria me encaixar”, conta.Foi aos 12 anos que ela levou a questão para a avó: “Vó, eu sou uma pessoa indígena também, né?”. A resposta foi afirmativa: “Você é uma pessoa indígena, a sua mãe também. Não é porque passamos por um processo de miscigenação que deixamos de ser indígenas.”
O desafio de recuperar a língua ancestral
A língua tradicional do povo Payayá é considerada extinta por falta de registros históricos. Estudos apontam semelhanças com línguas como Sapuyá e Kariri-Xocó, do tronco Macro-Jê do Nordeste brasileiro.
Há cerca de dois anos, Stephanie se aproximou de pessoas de diferentes povos que vivem processos de reconexão identitária e conheceu o coletivo Raiz Retorna, formado por indígenas mestiços que buscam reconstruir vínculos com seus povos.Stephanie Lourenço, neta de indígena Payayá nascida às margens do rio Utinga, busca reconstruir vínculos com a cultura e impedir que conhecimentos ancestrais se percam
Redação Blog do Léo Barbosa | 8 de setembro de 2026 | Chapada Diamantina

