Um adolescente de 14 anos esfaqueou um colega, de 13, dentro de um colégio particular na zona sul de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na manhã de sexta-feira (21). A vítima foi atingida nas costas por uma faca de serra de aproximadamente 11 centímetros, que ficou alojada na altura do ombro direito e perfurou o pulmão.

Segundo a Polícia Militar (PM), os dois adolescentes estudam na mesma sala, e a agressão aconteceu durante o intervalo, no pátio da instituição. Após o ataque, o estudante apontado como autor foi apreendido e encaminhado à Divisão da Infância e Juventude (Diju), onde foi autuado por ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

Ainda de acordo a PM, o adolescente contou aos policiais que vinha sendo alvo de bullying e chacotas em grupos de estudantes da escola havia mais de uma semana. Segundo o relato, ele teria se revoltado com as provocações e decidido atacar o colega.

As humilhações, conforme o adolescente, aconteciam por meio de mensagens em um grupo de WhatsApp formado por alunos da instituição e teriam começado depois que ele pediu ajuda para realizar um trabalho escolar.

Em uma das mensagens, o adolescente é chamado de “resto de aborto” e questionado se queria morrer.

Antes da agressão, segundo a polícia, o estudante entrou em uma área da cozinha da escola, que não é acessível aos alunos, e pegou a faca utilizada no ataque. A perícia foi acionada e esteve no local.

O adolescente ferido foi socorrido e encaminhado a um hospital particular, onde passou por cirurgia. Ele permanece estável.

O que diz a escola e a defesa do adolescente

Em nota, o Colégio Itamarati informou que desenvolve ações de prevenção e conscientização sobre bullying e cyberbullying e afirmou que as conversas trocadas entre os alunos não configuram a prática de bullying dentro da unidade.

A instituição informou ainda que desligou o aluno suspeito de agredir o colega. As aulas foram suspensas na sexta-feira e retomadas nesta segunda-feira (24).

Já o advogado Daniel Rondi, que representa o adolescente, afirmou que o jovem tem transtorno do espectro autista e que ele teria utilizado uma faca encontrada dentro da escola para se defender de agressões praticadas pelos mesmos colegas que, segundo a defesa, o humilhavam no pátio.

“Adolescente não comete crime, é um ato infracional, mas é um ato infracional de ocasião. Esse menino vinha sofrendo várias agressões psicológicas, verbais”, disse.

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