Reconhecida como o país mais seguro do mundo por quase duas décadas, a Islândia começou a discutir a implementação de um exército próprio. O debate ganha força diante do atual cenário internacional e do segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca.

Embora os Estados Unidos e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) tenham assegurado a proteção do território por décadas, declarações do presidente americano contra a Groenlândia e a aliança atlântica acenderam o alerta na capital Reykjavik. O episódio desencadeou uma profunda reflexão sobre a autonomia e o papel estratégico da região nórdica.
Localizada a apenas 2,3 km do Polo Norte, a ilha conquistou sua independência da Dinamarca em 1944. Anos depois, tornou-se membro fundador da Otan em 1949, mantendo a singularidade de não possuir uma estrutura militar permanente. Apesar das tensões, uma pesquisa recente apontou que 72% da população ainda rejeita a criação de forças armadas convencionais, especialmente em um território onde 80% das terras são inabitáveis por serem marcadas por vulcões e geleiras.
“Não faz sentido; não temos gente suficiente”, afirmou Maria, estudante de direito, ao ser questionada pela BBC sobre a viabilidade de um exército nacional.

Atualmente, a sociedade islandesa deposita sua confiança na Guarda Costeira, cujo foco principal é o resgate marítimo, essencial para uma economia dependente da pesca e para o enfrentamento de climas extremos. A instituição, reconhecida por sua eficiência técnica e operacional, também é responsável pela vigilância das fronteiras e pela gestão da base de Keflavik, que serviu como ponto estratégico para monitorar submarinos na Guerra Fria e hoje apoia caças da Otan.

Mesmo sem fornecer tanques ou soldados, a Islândia ratificou sua defesa em 1951 através de um acordo bilateral com os EUA. Desde então, aeronaves de nações aliadas, como Noruega e Estados Unidos, realizam patrulhas rotineiras e treinamentos de reconhecimento em solo islandês.
“Tudo que os EUA estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia, que devolvemos à Dinamarca após defendê-la de alemães, japoneses e italianos.”
Confusões geográficas do líder republicano, que parecia confundir a Islândia com a Groenlândia em seus discursos, aumentaram a apreensão dos islandeses.

No Fórum de Davos, Trump chegou a declarar “Não sei se eles estariam lá por nós. Eles não estavam lá na Islândia, posso garantir. Quer dizer, nossa bolsa de valores despencou ontem por causa da Islândia. Então, a Islândia já nos custou muito dinheiro”.

Mesmo com o esclarecimento posterior de que a referência correta seria a Groenlândia, as falas foram recebidas com uma mescla de surpresa e preocupação pela diplomacia de Reykjavik.

By Laiana

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