O que antes era visto como um fruto abundante e, muitas vezes, desperdiçado em comunidades rurais de Santa Bárbara, no interior da Bahia, virou matéria-prima para um projeto de ciência desenvolvido por estudantes de uma escola pública. Um grupo de alunos do Colégio Estadual Professor Carlos Valadares criou um biodiesel a partir do óleo extraído da amêndoa do licuri, palmeira típica do semiárido baiano.
🥥 O que é o licuri? Seu fruto é pequeno e tem uma amêndoa rica em óleo, que pode ser aproveitada na produção de alimentos, cosméticos e, como mostra a pesquisa dos estudantes, até de biodiesel. A planta também é importante para a fauna da região e para a economia de comunidades rurais.
A pesquisa, batizada de EcoLicuri, nasceu da vontade de aproveitar melhor um recurso presente no território onde os estudantes vivem e de estudar uma alternativa aos combustíveis fósseis.
Participaram do projeto Adrian Mota, Andrei Ribeiro Maia, João Henrique Gomes de Lima e Kauan Mascarenhas, sob orientação dos professores Hevelynn Martins e Lamon Oliveira.
A ideia surgiu a partir da observação de uma situação comum na comunidade onde os estudantes moravam: o desperdício do fruto.
“A gente queria testar se o licuri que tinha disponível, que estava caindo aos pés das casas dos meninos, poderia ser utilizado para produzir um biocombustível”, explicou a professora Hevelynn Martins.
Para chegar ao biodiesel, os estudantes:
- precisaram extrair o óleo da amêndoa do licuri;
- depois, fizeram testes com diferentes reagentes e condições de produção até conseguir realizar a chamada transesterificação — processo químico que transforma o óleo vegetal em biodiesel.
Nem tudo deu certo de primeira
Segundo a professora, alguns dos testes tiveram resultados diferentes do esperado. Mas, ao invés de descartar o material, os estudantes aproveitaram o resultado para desenvolver outros produtos.
🧼 Em uma das tentativas, por exemplo, o produto acabou se transformando em uma espécie de sabonete de licuri.
🥣 A equipe também utilizou resíduos do licuri para produzir farinha e aproveitou as cascas na fabricação de vasos.
Projeto começou sem laboratório
Um dos aspectos que mais chama atenção na história é que a pesquisa começou com estrutura bastante simples.
Na época, a escola ainda não tinha um laboratório. Os estudantes utilizaram materiais disponíveis e chegaram a recorrer a garrafas PET nos primeiros experimentos.
Com o avanço do projeto e a conquista de equipamentos, os processos foram ficando mais precisos e fáceis de realizar.
Para a professora, acompanhar a evolução dos alunos foi uma das partes mais marcantes da pesquisa.
