O cinema brasileiro se prepara para receber “Feito Pipa”, longa-metragem dirigido por Allan Deberton que estreia nas salas de cinema do país em 5 de novembro. Escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027, o filme aposta em uma narrativa sobre afeto, diversidade e os desafios enfrentados durante a infância.
Ambientada no sertão do Ceará, a produção acompanha a história de Gugu, um menino de 11 anos interpretado por Yuri Gomes. Apaixonado por futebol, dança e maquiagem, ele vive com a avó, Dilma, personagem de Teca Pereira, em uma relação marcada pela liberdade, pelo cuidado e pela cumplicidade.
A tranquilidade da rotina familiar começa a mudar quando a saúde da avó se fragiliza. Com medo de ser obrigado a deixar a casa onde cresceu para morar com o pai, Batista, vivido por Lázaro Ramos, Gugu tenta esconder os sinais da doença.
Uma história sobre afeto e pertencimento
Mais do que acompanhar os conflitos de uma família, “Feito Pipa” aborda o direito de uma criança viver a própria identidade sem medo de rejeição. A relação entre Gugu e Dilma ocupa o centro da narrativa e evidencia a importância do acolhimento familiar na formação da identidade e na construção da autoestima.
O filme também trata do preconceito e da dificuldade de convivência com expectativas rígidas sobre comportamento e masculinidade. A relação do menino com o pai introduz esses conflitos, enquanto o vínculo com a avó representa um espaço de proteção e liberdade.
Rodado em Quixadá, no interior cearense, o longa também valoriza a identidade regional e as experiências de comunidades do interior do Brasil. A história foi inspirada em memórias de infância dos roteiristas Allan Deberton e André Araújo, que cresceram no Ceará.
Reconhecimento internacional
Antes da estreia comercial no Brasil, “Feito Pipa” acumulou premiações em festivais nacionais e internacionais. O longa conquistou o Urso de Cristal de Melhor Filme, concedido pelo Júri Jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus, no Festival de Berlim.
No Festival de Cinema de Gramado de 2026, a produção também se destacou, recebendo os prêmios de Melhor Direção, para Allan Deberton; Melhor Atriz, para Teca Pereira; Melhor Ator Coadjuvante, para Lázaro Ramos; e Melhor Filme pelo Júri Popular. O jovem Yuri Gomes recebeu ainda uma menção honrosa por sua atuação.
A trajetória nos festivais contribuiu para ampliar a visibilidade da obra e fortalecer sua candidatura como representante brasileira na corrida pelo Oscar.
Caminho para o Oscar 2027
A escolha de “Feito Pipa” foi anunciada em setembro pela Academia Brasileira de Cinema, após uma seleção que reuniu 15 produções inscritas e seis finalistas.
A indicação brasileira, entretanto, ainda depende da avaliação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. A lista de indicados ao Oscar 2027 está prevista para ser divulgada em 21 de janeiro, enquanto a cerimônia de premiação será realizada em 14 de março de 2027.
A produção representa mais uma oportunidade de projeção internacional para o audiovisual brasileiro, ao levar para o debate global uma história regional que aborda temas universais, como amor, amadurecimento, pertencimento e respeito às diferenças.
Estreia nos cinemas
Com distribuição da Paris Filmes, “Feito Pipa” estreia nacionalmente em 5 de novembro. A produção reúne atuações de Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos e apresenta uma narrativa que combina questões sociais, relações familiares e a descoberta da identidade durante a infância.
Ao colocar o afeto no centro da história, o filme propõe uma reflexão sobre a importância de ambientes seguros e acolhedores para crianças, especialmente quando elas enfrentam preconceitos e mudanças que fogem ao seu controle.
