A apresentação de Léo Santana na inauguração do Centro Cultural Novo Mané Dendê, no Subúrbio de Salvador, terminou no centro de uma disputa envolvendo a Prefeitura de Salvador e a Justiça Eleitoral, às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026.
A decisão foi tomada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) na noite de quinta-feira (1º), após representação apresentada pela coligação “Mais Bahia, Mais Brasil”, ligada ao governador Jerônimo Rodrigues. O pedido questionou a realização de apresentações artísticas em uma inauguração promovida pelo poder público durante o período eleitoral.
O desembargador eleitoral plantonista Abelardo Paulo da Matta Neto determinou a suspensão do show de Léo Santana e das demais apresentações artísticas previstas para o evento. A decisão citou a legislação eleitoral que restringe a realização de showmícios e apresentações artísticas custeadas com recursos públicos em inaugurações nos três meses que antecedem as eleições.
Outro ponto considerado foi o cenário político envolvendo o cantor. Léo Santana havia manifestado publicamente apoio à candidatura de ACM Neto ao Governo da Bahia. A decisão, entretanto, não proibiu a presença do artista no local, desde que ele não participasse artisticamente da programação.
Mesmo após a liminar, a Prefeitura recorreu e manteve a expectativa de que o cantor se apresentasse. Léo chegou a subir ao palco e iniciou a apresentação, mas o show foi interrompido depois que a gestão recebeu a confirmação de que a decisão judicial continuava válida.
Ao final, a Prefeitura informou que cumpriu a determinação do TRE-BA e entregou o Centro Cultural Novo Mané Dendê sem a apresentação de Léo Santana. O evento contou com artistas locais ligados ao Movimento Boca de Brasa.
A decisão também estabeleceu multa pessoal de R$ 100 mil por hora ao prefeito Bruno Reis em caso de descumprimento da ordem relacionada às apresentações artísticas.
