O cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback, responsável pelos procedimentos realizados na empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, que morreu após uma cirurgia em Ilhéus, no sul da Bahia, já havia sido alvo de denúncias de pacientes em 2023.

Adriele, que morava nos Estados Unidos, viajou para a Bahia para realizar quatro procedimentos estéticos: mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma. As intervenções foram realizadas no Hospital Vida Memorial, em Ilhéus. Após o procedimento, a empresária apresentou uma alteração grave no quadro clínico e morreu na madrugada da quarta-feira (26).

As denúncias contra Rossini vieram a público em 2023 e envolveram pacientes de Itabuna, Salvador, Eunápolis e Vitória da Conquista. Mulheres relataram complicações e problemas estéticos após cirurgias realizadas pelo profissional. Uma das pacientes afirmou ter desenvolvido uma infecção grave após colocar próteses de silicone e passar por lipoaspiração, sendo posteriormente submetida a uma cirurgia de reparação. Uma instrumentadora cirúrgica que trabalhou com o médico também apresentou denúncias naquele período.

Na época, segundo reportagens divulgadas por veículos como UOL, SBT e Fantástico, dezenas de pacientes fizeram relatos sobre complicações no pós-operatório. A defesa do médico contestou as acusações e afirmou que ele não havia sido condenado judicialmente por irregularidades na prática médica.

Defesa atribui morte a possível reação à anestesia

Após a morte de Adriele, a defesa de Rossini afirmou que a cirurgia ocorreu em uma unidade hospitalar licenciada, com centro cirúrgico habilitado e acompanhamento de médica anestesiologista durante todo o procedimento.

Segundo os advogados, a cirurgia transcorreu sem intercorrências até a fase final, quando a paciente apresentou, de forma súbita, uma alteração grave no quadro clínico. A equipe de anestesiologia teria identificado sinais compatíveis com hipertermia maligna, uma condição rara, grave e potencialmente fatal associada à suscetibilidade individual a determinados agentes anestésicos.

A defesa informou ainda que foram adotadas medidas emergenciais, incluindo medicação específica e participação de um cardiologista, mas a paciente não respondeu ao tratamento.

Caso é investigado

O caso está sendo investigado pela 1ª Delegacia Territorial de Ilhéus. O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que, atualmente, não há processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica relacionado ao procedimento realizado em Adriele. Sobre as denúncias de 2023, o conselho afirmou que os resultados foram comunicados às partes, mas os detalhes permanecem protegidos por sigilo.

A defesa do cirurgião declarou que ele permanece à disposição da família, das autoridades e dos órgãos de classe para prestar esclarecimentos sobre o caso.

By Laiana

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